quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ponto, parágrafo. (2)

A palavra que eu estava buscando ontem era vulnerável.

O bom da vida não ser demasiado diversa é que continua servindo.



Primeiro a carteira não chega. Depois você procrastina um pouco. Aí finalmente vai ao médico, espera aquelas horas de sempre, tem a consulta, recebe a receita. Aí você sua pra conseguir o telefone certo das farmácias (até no site delas mesmas está errado). Depois de fazer várias ligações descobre que a tal pomada não é vendida em lugar nenhum da cidade.


Uma coisa que oscila entre me irritar e me fazer rir: receita rápida que envolve “1 litro de caldo de legumes”. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ponto, parágrafo.

A sensação é de sufocamento sempre que tenho que lidar com a burocracia - e não, não acho que burocracia é horrível e precisa ser exterminada, acho que ela tem uns méritos relevantes, mas todas as vezes acabo me sentindo incompetente, meio limitada e um tanto lesada.



Da série despesas inesperadas que deviam ser esperadas: comprando óculos.

A vida seguiu, estes dias: terminei um livro empancado, tenho mantido a pia limpa (melhor dizendo, tenho limpado todas as manhãs), dei aula, fui a reuniões, me entretive no fogão: panquequinha, chapéu de couro, costelinha de porco, tapioca, feijão.

Não sei se futebol é o ópio do povo, mas certamente me mantem quentinha, segura e confortada.

Status: pedro pedreiro.

E quando dói, respiro.

Em outro dia, uma amiga falou dos livros na mesma outra língua: o desconforto de pegar, por engano, um livro traduzido em português de Portugal. E eu fiquei pensando como fui me misturando nas linhas e palavras e letras e sentidos e os autores portugueses, moçambicanos, angolanos, que eu nem suspeitava, se tornaram tão meus como meu Machado. E lembrei daquele que aprendi a amar – e a quem esta palavras por vezes assombra – que já antes me dizia que eram, dele, todos, que não abria mão de nenhum rosa ou Drummond, pois não era de geografias que se tratava.

100 dias sem ela. 

Ninguém perguntou, ninguém quer saber, mas eu conto mesmo assim: sou melhor professora do que sei menos.

Sobre a não sei qual temporada de GoT que estreou esta semana: eu gosto de Sansa desde a primeira temporada e Daeneryzzzz me dá sono desde a primeira cena (antes, pelo menos, eu me animava que quando ela aparecia aumentava a chance de ver o Jorah, agora nem isso). 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Do que incomoda. Do que conforta.

Sabe quando você sabe que tem coisas que poderiam melhorar a vida? Saber é o primeiro passo, mas não é tudo (oi, psicanálise, não, não estava pensando em você). Congelar, por exemplo. Eu poderia ter carne no congelador. Mas eu não gosto. Poderia fazer molhos e congelar. Pesto, que eu adoro. Congelar folhas, como rúcula e espinafre. Fazer sorvete de manteiga com ervas. Congelar feijão sem tempero. Pedaços de frango adequadamente cortados, temperados e embalados. Mas. Todas as vezes que eu tentei, a comida foi ficando, ficando, criando aquela cobertura de gelo, até virar algo indefinível e acabar indo pro lixo. O que eu congelo: peixe, camarão, essas coisas. Gosto de ir ao Mercado, no Mucuripe, comprá-los frescos, chegar em casa e separar nas porções adequadas para, aí sim, deixar no congelador esperando o momento de serem comidos (spoiler: logo). Se eu congelasse iria menos ao supermercado, passaria menos tempo cozinhando, etc. Mas eu não gosto. 

Quando escrevi sobre isso no FB foi de uma forma ambígua. Não foi intencional, mas gostei tanto da dubiedade que mantive. Mais de uma pessoa entendeu (com razão, já que não coloquei vírgulas na frase: Sim, eu sei que se eu congelasse minha vida seria mais fácil) que eu falava de congelar a vida. Pode apetecer, à primeira vista. Aquele momento gostoso em que tudo vai bem, trabalho, moço, grana...opa, vamos manter, resfria, vai, resfria. Ou, o contrário, problemão que a gente não consegue lidar? Deixa no congelador até ter uma resposta adequada (como uma coisa puxa outra, lembrei dos jogadores que, com mau desempenho, ficam na geladeira e da expressão “dar um gelo” em alguém). Sei lá pra onde eu ia, daqui. Começou o jogo Alemanha X México e em poucos minutos estava 2 a 0. Fiquei presa lá e foram-se embora as conexões, os insights, as amarrações de um congelamento no outro. O que eu sei é que quando congelo molho, carne, feijão e tento comer, depois, acho meio sem gosto. Sem graça. O courinho da galinha, por exemplo, já não serve pra fazer uma boa farofa. Imagino que aconteceria o mesmo com aquele momento maravilhoso, ao ser congelado, algo da sua elasticidade, brilho, sabor, seria perdido. Ou posso ficar com a postura madura com que terminei o parágrafo anterior: eu não gosto.


Ainda sobre comida, já fiz massa com um bocado de molhos. Mas de vez em quando eu gosto mesmo é de meter o macarrão num refogado simples: bacon, cebola, alho, tomate, manjericão, sal, pimentinha e, com sorte, uns cubinhos de queijo coalho. 


Não é só que eu esteja revendo Downton Abbey. É que estou revendo e revendo e revendo o primeiro episódio. E é engraçado (não achei palavra melhor) como DA parece quase o contrário de Grey´s Anatomy. Em GA os personagens mudam, evoluem, e esse é o encanto. Em DA, não. E, contraditoriamente, isto também é encantador. Desde o primeiro episódio lá está a arrogância de Mary, a doçura aristocrática do Robert, a sensibilidade prática da Edith, o vínculo de Carson com a casa, a admiração condescendente e carinhosa de Mrs. Hughes por Carson, o bom humor forte e sobrevivente de Mrs. Patmore e por aí vai. Passam anos, temporadas e os termos para os definir mudam muito pouco. E fazem lembrar, de um jeito torto, aquelas frases do começo de E o vento levou... aqui, neste belo mundo, o galanteio fez sua última aparição.

E é, provavelmente, esta certa estagnação (também não achei palavra melhor) que faz com que rever DA seja tão confortador pra mim, nestes dias. A certeza de encontrar o belo. Da forma mais gentil. Então, eu revejo. E rio sempre de Violet reclamando da luz elétrica. E me indigno sempre com a maledicência da O'Brien. Há um prazer neste sempre. A certeza da constância da minha reação também me conforta. O que não muda em mim. Apesar de.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Arthur, Menudo e Outras Felicidades

E tem aquele momento que é feliz. Não como memória ou saudade. Aquele que se sabe na hora em que os corpos se encaixam. Que o mar amorna o pé. Que o frio escorre na língua. Que o vento brinca na pele. Que a noite se faz dia. Que o último garçom, sonolento, puxa a porta de ferro que desliza ruidosamente. Que a cabecinha cheirosa da criança repousa no ombro. Que a chaleira ferve. Que o querido dedilha o instrumento. Que o outro grupo, na rua vazia, ri alto de algo que você nunca vai saber. Que a chapa cheira a manteiga. Que as jangadas chegam. Que soa o triângulo. Ou a cuíca. Que se puxa o baralho. Que cheira a mormaço. Que ligam as turbinas. Que o time faz um gol. Que se arrasta o pé. Que se fecha o livro. Ou abre. Que a gente nem se importa de ser feliz. E está.




Quando vocês estão vindo com a cana eu já tô voltando com a rapadura. Parece prepotente, é só solitário.

Às vezes não. Limão no feijão, por exemplo, eu nem, ainda.

Porque quando a gente tá sem dinheiro e com preguiça sente mais fome? 

Então está “todo mundo” vendo ou lendo O Conto de Aia. E eu me sinto antiga, antiga. Faz tempo que Offred e sua claustrofóbica memória chegou por aqui. E ficou. Antes do feminismo, das questões, das amigas, dos receios. É pelo antes, não pelo tempo, que eu me sinto tão antiga.

Tem umas coisas que a gente aprende mas não consegue ensinar. Ou não servem pros outros, que triste. Tento dizer para o querido insone que ele precisa de uns romances policiais pra atravessar essas noites (sim, romances policiais são multifuncionais). Começo, meio, fim. Acalma a mente. Acalenta os medos. Conforta. Repousa. Mas ele nem. 

Eu sou tão besta. Eu escolhia o "meu" Menudo. E tenho preferência por versões. Por exemplo: Arthur. Uma lenda, pois claro. Narrativas. Mas tem a minha, a "certa". Que é a história do Cornwell, mas com a Morgana da MZB. Daí eu vejo tudo "comparando" com isso. Não que eu não aproveite as outras. Olha, tão engraçadinha esta estorinha que inventaram para falar da galera do Arthur

Sim, eu tenho essas aspirações iluministas.

E fico um pouco embaraçada de olhar por fechaduras, mesmo convidada.

Eu gosto de gente. Eu li um bocado de psicanálise. Às vezes é difícil conciliar as duas coisas (mas às vezes uma sustenta a outra, vai entender)

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Inóspito

A verdade é que é um mundo inóspito.

E essa sanha punitivista me assusta, sempre.

Tenho enrolado bastante nesse negócio de colocar ponto final. Não tenho certeza se tenho medo de lidar com o que vem ou temo abandonar o bom que já se foi. A verdade é que eu devia estar no divã.

Queria muito que o calendário voltasse ao normal. É muito chato começar o semestre já meio cansada.

Quanto mais o Gil envelhece, mais se torna (dos) meu(s).

Eu nem ligo pra roupa, mas queria muito, muito, o guarda-roupa da Edith. Sim, tenho revisto Downton Abbey. Sim, significa.

Três livros em três dias. Futebol. Pizza com amigos. Documentário da Gal. Pão. 

Do que mais gosto é do que não serve pra nada. A gente diz, com riso no olho: “não vale uma cibalena vencida”. Gosto do que existe sem propósito. Ou ainda, do que vivemos sem propósito além do próprio desfrute do que é. Não é para. Para emagrecer, para aprender, para ficar saudável, para empoderar, para seduzir, para ficar em forma, para conquistar, para manter, para acabar. Vive-se e é. Ou está.

Mas você quer que tudo caia no seu colo? Sim.

Luciana, você quer voltar? eu quero é ir. 

Se ela tivesse a coragem. Mas não tenho, Vinícius.



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